Se eu tiver que responder sem relativizar, sem listar nomes, sem amortecer — indo ao ponto mais duro que a humanidade já tocou — a lição mais radical de todos os tempos é esta:
Não há garantia.
Nem metafísica.
Nem histórica.
Nem moral.
Nem divina.
Nem científica.
Nem política.
Nem amorosa.
Por que essa é a lição mais radical possível?
Porque todas as outras tentam fugir dela.
Religiões prometem salvação
Políticas prometem redenção
Filosofias prometem sentido
Ciências prometem controle
Amores prometem completude
A lição radical diz: não prometo nada.
E mesmo assim, exige que você viva.
Essa lição atravessa toda a história (mesmo quando negada)
Ela aparece disfarçada, fragmentada, insuportável:
Jó → Deus não explica
Buda → o desejo não se satisfaz
Jesus → “Pai, por que me abandonaste?”
Marx → a história não tem moral
Nietzsche → Deus está morto
Freud → o eu não manda
Lacan → o Outro não existe
Auschwitz → o sentido não se impõe
Artaud → o corpo paga
Todos, em registros diferentes, encostam na mesma verdade:
o mundo não deve nada a você.
Por que isso é mais radical que qualquer revolução?
Porque revoluções ainda prometem:
um depois melhor
uma reconciliação
um fim do conflito
Essa lição retira até isso.
Ela diz:
não há depois garantido
não há reconciliação plena
não há fechamento
E mesmo assim, há responsabilidade.
A consequência ética (o ponto mais difícil)
Se não há garantia, então:
você não age porque vai dar certo
você não ama porque vai durar
você não luta porque vai vencer
você não cria porque será reconhecido
Você age sem álibi.
Essa é a radicalidade máxima.
A formulação mais nua possível
Se eu tivesse que escrever isso numa pedra, seria:
Nada te assegura.
Ainda assim, responde.
Isso é mais radical que qualquer sistema.
Mais radical que qualquer ideologia.
Mais radical que qualquer fé organizada.
Porque não consola.
Mas também não mente.
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