O máximo em matéria de mínimo

 

O máximo em matéria de mínimo

Um copo d’água.
Uma cadeira vazia.
A luz que entra
sem pedir licença.

O dia não promete.
Ainda assim, acontece.

Uma palavra basta
para abrir o silêncio.
Um silêncio basta
para fechá-la.

Quase nada:
um corpo respirando,
uma janela,
o mundo do lado de fora
insistindo em existir.

Talvez viver seja isto:
retirar, retirar, retirar
até sobrar
o necessário.

E então descobrir
que o mínimo
era o máximo
que a vida podia dar.

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