Ivan Ilitch
Viveu conforme a vida lhe mandava,
entre o papel, a honra e a aparência;
sorriu quando a tristeza o visitava,
chamando de destino a indiferença.
Depois, a dor, silenciosa e brava,
rompeu-lhe a fina máscara da crença;
e o homem que julgava que sabia
descobriu que viver não era o dia.
Gerássim lhe ensinou, sem argumento,
que a morte não precisa ser temida;
basta um gesto, um olhar, um acolhimento,
para devolver verdade à própria vida.
E quando enfim cessou seu sofrimento,
Ivan morreu — mas começou a vida.
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