ECLESIASTES
Tudo passa: a manhã, o pão, a espera,
o nome que escrevemos sobre a areia;
o homem planta, colhe, sonha e erra,
e a própria sombra à própria sombra anseia.
O sábio aprende a dúvida severa,
o tolo ri, enquanto o tempo ceia;
e a morte, sem relógio, nos espera
no mesmo quarto em que a vida passeia.
Então come teu pão, bebe teu vinho,
abraça o breve amor que te visita;
não peças eternidade ao teu caminho.
Pois tudo foge, tudo se limita.
E talvez Deus, no fim do descaminho,
seja o silêncio que ninguém decifra.
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