Capitu Espera
Capitu traiu? O quarto permanece.
Bentinho olha — e nada se desfaz.
A porta espera, imóvel, e o rapaz
procura um rosto onde o silêncio vence.
Há um lenço. Há um olhar. A dúvida pensa.
Há um filho. Há um morto. Há tanto atrás.
Mas toda prova, ao ser buscada, traz
outra pergunta, imóvel, sem sentença.
Talvez traiu. Talvez jamais traiu.
Talvez o homem, só, tenha inventado
a falta que precisava para amar.
E enquanto espera aquilo que não viu,
Bentinho fica imóvel, condenado:
esperar é seu modo de julgar.
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