Capela Sistina
Deus toca o homem. Ou quase. Não se sabe.
O dedo para a um nada do encontro.
No alto, a carne espera pelo ponto;
embaixo, alguém espera — e não há chave.
Adão respira. A eternidade cabe
num gesto interrompido. O céu, desconto
de uma promessa. E nós, sem outro conto,
ficamos onde a mão jamais nos cabe.
Michelangelo — silêncio sobre a tinta.
O homem nasce e já perdeu o prazo.
Deus se afasta. Ou talvez nunca tenha vindo.
Restam dois dedos, quase, e a pergunta extinta:
se tudo começa aqui, por que o acaso
continua, indiferente, prosseguindo?
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