Todas as Linguagens se Beijando

 Todas as Linguagens se Beijando


A vírgula mastigou urânio antes do alfabeto. Um semáforo traduzia ferrugem para baleias. Os pronomes vazavam petróleo litúrgico na axila hexadecimal do domingo.


Havia um mapa escondido dentro da tosse de um transistor cego, e cada sílaba carregava o cadáver luminoso de uma senha.


As montanhas conjugavam verbos na velocidade de um fungo radioativo. Um espelho assinava passaportes para dialetos ainda não nascidos.


Então ninguém falou.


As línguas começaram a beijar-se como arquivos corrompidos, como fósseis elétricos, como deuses esquecidos que já não distinguiam carne, algoritmo, cinza, ou vento. Nenhuma tradução sobreviveu.


A.C.

2026

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