Soneto da Fidelidade Impossível

 Soneto da Fidelidade Impossível


De tudo ao meu amor entrego a vida,

não como quem possui, mas quem se perde;

pois toda chama que no peito arde

já nasce condenada e consumida.


Quero beijar a queda e a despedida,

amar o abismo onde ninguém se atreve;

ser a ferida aberta que recebe

a própria dor de estar comprometida.


E quando o tempo, em sua mão vazia,

levar meu nome, minha voz, meu rosto,

e apagar o sol que me guiava,


restará só a extrema poesia:

não o amor que venceu o frio imposto,

mas o amor que, morrendo, ainda amava.

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