O Leitor Infinito
No códice onde o nada soletra o nunca,
um olho sem rosto lê a própria sombra;
a letra nasce morta, mas desponta
no abismo azul de uma palavra bronca.
Vira-véu, vórtice, vértice e pergunta,
o livro lê o leitor que se desmonta;
cada silêncio em sua língua tonta
é uma página que outra página afunda.
Ó verme astral de bibliotecas mudas,
que come o sol dos alfabetos loucos,
decifra o fim das coisas inconclusas.
Teu nome é eco em corredores ocos:
lês tanto o mundo que te tornas nunca,
e és lido pelo nada aos poucos.
A.C.
2026
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