O Inimaginável

 O Inimaginável


Antes do verbo, a vírgula sonhava o sujeito,

mas o sujeito chegava depois da ruína;

o espelho traduzia a própria neblina

na gramática oblíqua de um mapa desfeito.


A hipótese pensou aquilo que, sem jeito,

o acaso assinou na margem da oficina;

cada origem copiava outra origem clandestina,

e o fim era o começo de um efeito imperfeito.


Quem lê já foi lido por uma frase ausente;

a chave abre a fechadura do lado inexistente.

O nome esquece o rosto que o inventou.


Entre parênteses, o vazio muda de idioma;

o impossível conjuga o verbo que não se toma,

e o inimaginável lembra aquilo que jamais sonhou.


A.C.

2026

Comentários