A Solidão de Quixote
Na estrada onde o delírio fez morada,
Cavalgo entre gigantes que ninguém vê;
O sol consome a armadura enferrujada,
E o mundo ri da fé que ainda me crê.
Sancho partiu; a tarde está calada,
Nem Dulcineia responde ao que sonhei.
Resta o rumor da lança já quebrada
E um velho ideal que nunca abandonei.
Se a vida vence toda fantasia,
Que vença; eu fico ao lado do impossível,
Guardando a chama da melancolia.
Pois mais cruel que o riso do sensível
É descobrir, no fim de cada dia,
Que o último moinho era invisível.
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