Variações 2
Amor não arde. Falta-lhe o clarão. É antes um carvão quase extinto, um resto de calor, vago, indistinto, guardado sob a cinza da razão.
Dói? Talvez. Mas a dor muda de mão. Quando a procuro, já não a pressinto; quando a esqueço, retorna ao labirinto do peito, sem motivo ou direção.
Ando entre os outros. Cada rosto passa. Nenhum me reconhece. Nem eu mesmo. Ainda assim persisto nessa caça.
Chamo-lhe amor por falta de outro termo. Um nome gasto sobre a velha praça, onde espero por nada. E não me movo.
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