Variações 1

 Variações 1


Amor: um hábito que não se aprende,

um erro que insiste em permanecer;

não arde — apenas finge acontecer,

e mesmo assim o nada o compreende.


É ferida sem corpo que a sustente,

um gesto que não sabe onde morrer;

quer fugir, mas decide obedecer

a uma ordem que nunca esteve presente.


Ama-se o que já não se alcança mais,

um resto de linguagem no escuro,

um “sim” dito depois de todos “ais”.


E quando enfim parece ser seguro,

descobre-se: era só ruído atrás

do pensamento em estado futuro.


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