O mundo se move e não se pergunta o porquê

 O mundo se move e não se pergunta o porquê


O mundo se move e não pergunta nada,

a sombra passa antes do seu dono;

um homem espera a última palavra

de um Deus que nunca atende ao abandono.


A porta aberta permanece fechada,

o relógio repete o mesmo outono;

procuro em mim a coisa procurada,

e encontro apenas pó, silêncio e sono.


Falei com o vazio por engano,

pedi ao chão razão para a queda;

respondeu-me o silêncio mais humano.


E sigo, sem saber se alguém me espera,

um resto de voz, um velho plano,

andando sem chegar a primavera.

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