O Evangelho Segundo Eu

 O Evangelho Segundo Eu


No princípio eu era quase alguma coisa,

um resto de voz preso no corredor;

procurei Deus na sombra silenciosa,

e achei meu próprio eco sem amor.


Preguei a mim a minha velha troça,

um salvador sem cruz, sem esplendor;

parti o pão da dúvida nervosa

com mãos que já não tinham mais calor.


Eu fui o Judas, o Cristo e o abandono,

o templo em ruínas, o último sono,

a boca que promete e nada diz.


Se existe céu, talvez seja o vazio,

onde um eu cansado, frio e tardio,

aprende a não querer ser infeliz.


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