Não nos conhecemos quanto gostaríamos
No espelho alheio procuramos nossa face,
um nome perdido em outra solidão;
batemos à porta antes que se fechasse,
mas tarde escuta a própria mão.
Dizemos tanto — e a palavra não nasce,
paira suspensa em muda hesitação;
há um abismo calmo que se disfarça
no que apodrece dentro do coração.
Amamos sombras que não deciframos,
seguimos rastros de uma ilusão;
somos estranhos quando nos encontramos,
dois náufragos na mesma estação.
E quando enfim em silêncio nos olhamos,
vemos: faltou-nos a tradução
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