JESUS

 JESUS 


Não sei se é voz, se é resto ou se é nada,

o nome “Jesus” se perde ao ser dito,

e há um corpo que talvez seja escrito

numa cruz que não cessa de ser nada.


Dizem morte — mas quem diz? quem relata?

o silêncio responde, infinito,

e até o grito parece estar perdido

numa língua que falha e não se ata.


Se houve Pai, já não há quem o alcance,

se houve sangue, já não há quem o prove,

só continua o gesto sem descanso.


E continuo, sem saber quem move

esta fala que cai no próprio manso

desfazer-se do ser que não comove.

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