Grande Sertão

 Grande Sertão 


Nada acontece. O sol devora o chão.

Riobaldo espera à beira da vereda.

O vento passa. Alguma voz enreda

o vazio antigo em nova indagação.


Diadorim é sombra ou recordação?

A tarde cai, sem dar qualquer resposta.

O mundo segue, indiferente à aposta,

e Deus se cala sobre a vastidão.


Caminha-se. É só isso. Caminhar.

Nem pacto, nem demônio, nem destino

se mostram nítidos ao olhar.


Mas no silêncio bruto do caminho,

resta ao homem continuar, continuar,

como quem guarda um nome sem sabê-lo seu vizinho.

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