Grande Sertão
Nada acontece. O sol devora o chão.
Riobaldo espera à beira da vereda.
O vento passa. Alguma voz enreda
o vazio antigo em nova indagação.
Diadorim é sombra ou recordação?
A tarde cai, sem dar qualquer resposta.
O mundo segue, indiferente à aposta,
e Deus se cala sobre a vastidão.
Caminha-se. É só isso. Caminhar.
Nem pacto, nem demônio, nem destino
se mostram nítidos ao olhar.
Mas no silêncio bruto do caminho,
resta ao homem continuar, continuar,
como quem guarda um nome sem sabê-lo seu vizinho.
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