Enfim, Feliz
Já não conto os objetos nem os dias,
o lápis cai da mão, cessa o inventário;
afundam-se na névoa as companhias,
e o mundo torna-se um quarto solitário.
As vozes vão perdendo o seu contorno,
o nome esquece a forma que já teve;
não há partida, encontro ou retorno,
somente um sopro breve, muito breve.
A história se desfaz antes do fim,
o gesto para no ar, suspenso e frio;
a noite fecha as páginas em mim,
e o tempo abandona o próprio fio.
Mas quando tudo cala e se desfaz,
enfim feliz: ninguém procura mais.
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