Olhos Pela Manhã
Hoje cedo encontrei, na luz vazia,
os olhos da cadela junto aos meus;
e neles havia um silêncio de adeus,
como um sino dobrando a própria via.
Nenhum latido vence a travessia,
nem amor detém os relógios seus;
há um campo escuro esperando os céus,
onde toda presença se desfia.
Então senti o peso da existência:
nós, criaturas breves, de passagem,
presas ao fio frágil da lembrança.
E amei ainda mais sua inocência,
pois até o amor — feroz miragem —
não salva da distância e da mudança.
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