Melancolia
A chuva toca os vidros sem mensagem,
o rádio sopra um som indiferente;
na mesa fria, o copo permanece
como um objeto inútil na paisagem.
O corpo cruza o dia sem coragem,
responde pouco, move-se somente;
e cada rosto passa à frente
sem deixar marca alguma na passagem.
Não há romance algum na solidão,
nem profundidade oculta no sofrer;
há só desgaste, atraso e repetição.
O tempo cai sem forma de conter,
e a vida segue em lenta corrosão,
difícil demais para esquecer.
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