Investigar o Desejo
Não é seguir o impulso — é interrogá-lo,
cavar no escuro onde ele se disfarça;
pois cada brilho oculta a mesma farsa
de um gozo que aprendemos a chamá-lo.
O que em nós pede? O que insiste em falá-lo?
Que lei secreta o move e nos enlaça?
Não há pureza — há resto, há uma graça
estranha que nos faz sempre buscá-lo.
Diria Jacques Lacan: não cedas ao desejo — mas vê
de que matéria ele é feito em ti,
que falta escreve o nome do porquê.
Investigar é não fugir dali:
é sustentar o enigma até que se
revele o quanto és parte do que vi.
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