Evangelho de João
No princípio a voz. Não — o ruído. Uma boca escura abrindo sobre o nada. E a luz? Talvez. Um fósforo úmido tremendo numa mão já condenada.
“Segue-me”, disseste. Mas para onde, se a estrada apodrece sob os pés? Pedro chora peixes mortos. Esconde na rede o fracasso do que és.
O verbo era carne. Agora cansa. Range no osso frio da linguagem. Mesmo o milagre apodrece e dança
na ferrugem sem nome da passagem. Ainda assim alguém chama no escuro. E eu prossigo. Mudo. Inseguro.
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