Depois de Godot
Já não há portas, juízes ou castelos,
nem corredores úmidos de acusação;
restou apenas a lenta repetição
de corpos gastos sob céus amarelos.
O mundo perde os nomes e os apelos,
a fala cai sem força ou direção;
o homem escuta a própria respiração
como quem conta os últimos novelos.
Em Kafka, ainda havia tribunal e espera,
uma distância entre culpa e salvação;
em Beckett, nem a falta persevera.
Só resta o eco nu da duração,
um ser que continua — e já não era —
falando ao vazio da própria extinção.
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