Vida é respiração emprestada
Entramos sem aviso,
como quem já deve algo
antes mesmo do primeiro choro.
O ar não é nosso —
apenas atravessa.
Vai e volta,
vai e volta,
como uma onda que não nos pertence.
Cada fôlego
é um intervalo
entre o nada e o nada.
Seguramos?
Ele escapa.
Esquecemos?
Ele continua.
Há um ritmo que não controlamos,
uma fidelidade estranha
em algo que não é nosso.
E um dia —
sem anúncio, sem ensaio —
o empréstimo vence.
O peito silencia.
E tudo o que fomos
se resume a isso:
um sopro
que passou.
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