Olha o Mar Vermelho
Olha o mar vermelho —
não é só água,
é limite.
Atrás, o peso do mundo,
a poeira do cativeiro,
o grito dos que mandam voltar.
À frente, o impossível
respirando sal.
Moisés levanta o gesto —
não de quem sabe,
mas de quem atravessa.
E o vento vem.
Não como milagre fácil,
mas como força que rasga o medo.
O chão aparece
onde antes só havia afogamento.
O povo hesita —
porque liberdade também assusta.
Mas o passo acontece.
Um depois do outro.
Como um blues lento
ou um samba firme na madrugada.
Olha o mar vermelho —
não é o fim,
é a decisão.
E quando fecha atrás,
engolindo o que perseguia,
fica o silêncio.
Não de paz pronta,
mas de quem entendeu:
há caminhos
que só existem
depois que a gente vai.
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