Colapso Ontológico
No ventre escuro da possibilidade,
O mundo hesita antes de nascer;
Nem sombra plena, nem total verdade,
Só o tremor secreto do acontecer.
O elétron vagueia sem moradia,
Suspenso entre o sim e a negação;
E o cosmos guarda em sua anatomia
Uma fissura aberta na criação.
Então o olhar atravessa o infinito,
E o real colapsa em forma e matéria;
O ser se escreve no instante do rito,
Como uma estrela rompendo a miséria.
Talvez o universo, em seu rumor profundo,
Seja um vazio aprendendo a ser mundo.
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