Blues

 Blues


Uma nota grossa toca a tristeza

— quase um relâmpago na madrugada.


Dedos calejados, roupa encharcada de suor,

e o hálito de álcool dizendo: ainda.


Hábito contra o trabalho obrigatório,

exasperante, sem rosto — só peso.


Carregamentos, plantações de algodão,

o dia repetido até doer nos ossos.


Mulheres marcadas pela noite,

olhos que sabem mais do que dizem.


Canção negra com rachaduras,

voz que não pede licença — insiste.


Desesperos, fugas, amores amaldiçoados,

tudo cabendo numa corda vibrando.


E no fundo de tudo,

sem redenção —


o homem toca

e não para.

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