Verme Cósmico

 

Verme Cósmico

No ventre da noite o verme se estende,
devora a razão, a luz e o desejo;
cada pensamento é pó no ensejo,
e a vida inteira em sombra se suspende.

O corpo treme, e o mundo se rende,
o tempo é fome, o espaço é beco e receio;
nada escapa ao dente alheio,
nem a alma que ao nada se pretende.

Sinto o universo a roer-me os ossos,
o céu desaba em ácidos e escuridão,
e o cosmos ri da minha impotência.

Tudo é pó, tudo é dor e desgosto,
o verme cósmico em sua obsessão
me ensina a crueldade da existência.

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