Ubik (século XXI, à maneira de Mallarmé)

Ubik (século XXI, à maneira de Mallarmé)


No branco elétrico onde o tempo se fratura,

um spray — palavra — adia o pó do ser;

consome-se o instante antes de acontecer,

e o mundo hesita em própria assinatura.


Sem deus, só marca: signo em miniatura

que vende eternidade a prazo e a perder;

cada objeto recua ao não nascer,

e a vida é meia-vida em arquitetura.


No anúncio — oráculo — cintila o nada:

“Compre-me”, diz o vácuo, “e não termine”;

o século se dobra em coisa anunciada.


Mas o sujeito, ruído que declina,

lê-se ao inverso — forma abandonada:

Ubik é o nome do que não se determina.

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