Terror biológico

 Terror biológico


Não é o monstro.

É o corpo.

O erro que se replica

sem intenção,

sem ódio,

sem consciência.

A célula não decide.

Ela continua.

O vírus não ameaça.

Ele cumpre.

O sangue não negocia.

Ele circula

até falhar.

Chamaram de guerra,

de castigo,

de desvio.

Mas era só matéria

seguindo seu programa

até o colapso.

O terror não grita.

Ele cresce.

No exame.

No laudo.

No número que sobe

sem rosto.

Não há vilão.

Não há narrativa.

Não há redenção.

O corpo cai

não por pecado,

não por escolha,

mas por funcionamento.

O terror biológico

é isso:

a vida

não saber

quando parar.

E ninguém

poder pedir

que ela explique.

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