Silêncio

 Silêncio


Fiquei quieto. A tarde também ficou.

O bar da esquina abriu sem alarde.

Passou um vento cansado e covarde,

como quem sabe e mesmo assim calou.


Um rádio velho na sala falou

qualquer canção esquecida da tarde.

Ninguém escuta — e, no entanto, não arde

o mundo mudo que em volta restou.


Pensei: talvez toda frase exagera.

Talvez o fundo da vida seja isso —

um banco, um céu, um tempo que não pesa.


Então calei. Não por medo ou premissa:

às vezes o que a boca considera

o silêncio resolve com mais precisão.

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