Sexo
Não é o ato.
É o risco.
Dois corpos
tentando esquecer
que são finitos
por alguns segundos.
Não há promessa.
Não há fusão.
Não há completude.
Há pele.
Há falha.
Há um intervalo breve
onde o eu se distrai de si.
O sexo não resolve a solidão.
Ele a suspende.
Depois,
cada um volta
com o próprio corpo,
o próprio nome,
o próprio limite.
Chamaram de amor.
Chamaram de pecado.
Chamaram de instinto.
Mas é só isso:
um encontro
onde nada se garante
— nem o prazer,
nem o vínculo,
nem a permanência.
Sexo é o humano
tentando tocar
o que não se deixa ficar.
E falhando.
Como tudo
o que importa.
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