Profecia do Poeta
Subo ao púlpito obscuro da linguagem,
trago visões colhidas no delírio;
chamo de céu o fundo do martírio,
e o povo bebe a minha miragem.
Faço da dor comum nova paisagem,
vendo esperança em versos de delírio;
cada palavra soa como império,
cada mentira veste-se de mensagem.
Sou falso profeta do que escrevo,
pois digo eterno o que nasce breve,
e dou ao nada o nome de destino.
Mas quem me ouve também quer engano:
no fundo do poema soberano
todos fingimos crer no mesmo hino.
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