Palavra

 Palavra


A palavra chega tarde.

Ou nunca chega.

Tenta nomear o mundo,

mas o mundo já se esconde.

Cada sílaba é um gesto mínimo,

um sopro de vida no silêncio.

Não promete sentido.

Não resta sentido.

A palavra só existe

porque alguém insiste em falar.

Às vezes falha.

Às vezes trai.

Às vezes acende

o que não pode durar.

E ainda assim,

mesmo vazia,

mesmo errante,

a palavra continua.

Porque sem ela

não haveria resto,

não haveria memória,

não haveria presença.

Palavra é o mínimo que sobra

quando tudo desmorona.

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