O desejo não leva a nada
O desejo não leva a nada.
Ele anda.
Não promete chegada,
não conhece mapa,
não respeita abrigo.
O desejo não salva,
não cumpre,
não fecha sentido.
Ele empurra o corpo
para fora do conforto,
rasga a ilusão de destino
e chama isso de caminho.
Quem deseja não ganha:
perde garantias,
perde repouso,
perde desculpas.
O desejo não entrega sentido —
ele exige presença.
E quando nada acontece,
quando o mundo não responde,
quando não há prêmio,
nem aplauso,
nem redenção,
o desejo permanece:
nu,
inútil,
ativo.
Não leva a nada.
Mas sem ele,
nem o nada
aconteceria.
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