O Andarilho
Não tem casa para voltar — só estrada,
perdido no mundo, em passo vagabundo;
segue, qual sombra em palco moribundo,
feito um de Samuel Beckett, à espera nada.
Dorme no abismo, em pedra abandonada,
na beira da via, ao vento mais profundo;
carrega o pouco — quase nada — e, contudo,
faz do vazio a própria morada.
Com o mínimo impossível se sustenta,
um pão de ausência e um gole de demora;
no bolso, o dia falha e se apresenta.
E, ainda assim, insiste — e não melhora:
caminha porque a queda o alimenta,
e vive porque a vida o vai embora.
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