Não Há Relação Sexual
Não há encontro que feche.
Não há fórmula que encaixe.
Os corpos se tocam,
mas os desejos falam línguas diferentes.
Há aproximação.
Há atrito.
Há gozo que não coincide.
Cada um ama sozinho
mesmo quando abraça.
Cada um goza no seu idioma,
sem tradução perfeita.
O outro nunca é o Outro esperado.
O gesto falha.
A promessa escapa.
Não há relação
porque não há proporção,
não há simetria,
não há garantia.
E ainda assim,
insiste-se.
Não por completude,
mas por falta.
Não há relação sexual —
há o humano
tentando tocar
o que nunca se deixa unir.
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