Não há Palavra

 Não há Palavra


Não há palavra

para o que permanece.

O som cai

antes do sentido.

A boca se abre

e nada responde.

O mundo exige nome,

mas o real não aceita.

Toda palavra é atraso.

Toda frase, falha.

Ainda assim, fala-se.

Não para dizer —

para não sumir.

Entre um silêncio

e outro silêncio,

o corpo insiste

em ruído mínimo.

Não há palavra.

Há o gesto

de tentar.

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