Não há garantia


Não há garantia


Nenhuma mão no corrimão do mundo.

Nenhum manual no fundo da queda.

Nenhuma legenda para o que dói.


Você anda

e o chão não confirma.


Ama

e não assegura.


Cria

e não valida.


Nada responde

“vai dar certo”.


O máximo que existe

é o gesto

feito sem recibo.


A palavra não protege.

O plano não sustenta.

O desejo não garante.


Mesmo assim,

alguém fica.


Mesmo assim,

alguém tenta.


Mesmo assim,

algo se diz.


Não por esperança.

Por insistência.


Não há garantia —

e ainda assim

o corpo atravessa,

a voz sai,

o verso acontece.


Isso não salva.

Mas acontece.


E isso

é tudo.

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