Monitor de alunos
Não ensina conteúdo.
Sustenta o intervalo.
Fica onde o barulho cresce,
onde a regra falha,
onde o adulto não chega a tempo.
Não tem poder.
Tem presença.
Segura o caos
com o próprio corpo,
empresta calma
quando ninguém pediu.
Vê fome antes da palavra,
medo antes da briga,
solidão antes da indisciplina.
Não julga.
Interrompe a queda.
Enquanto a aula acontece,
ele impede que alguém
desapareça.
Não forma gênios.
Evita naufrágios.
E quando tudo termina,
ninguém aplaude,
ninguém anota,
ninguém lembra.
Mas alguém foi para casa
inteiro.
E isso basta.
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