A Máquina Quebrada do Mundo
Havia uma máquina no centro do mundo.
Rodava lenta, rangendo séculos,
engrenagens feitas de ossos,
parafusos de estrelas mortas.
Um dia parou.
Ninguém percebeu de imediato —
as cidades continuaram acesas,
os relógios insistiram em girar,
os algoritmos seguiram contando passos.
Mas algo falhou no fundo das coisas.
Os rios começaram a esquecer o mar.
Os pássaros perderam a gramática do vento.
E as palavras —
as palavras passaram a cair da boca
como ferramentas inúteis.
A máquina do mundo
estava quebrada.
Alguém tentou consertá-la
com ciência,
com fé,
com poesia.
Nada encaixava.
Então descobrimos:
talvez ela sempre tivesse estado assim —
um mecanismo gasto,
movido por tentativa e erro,
por mãos humanas trêmulas.
E o mundo, afinal,
não era máquina alguma.
Era apenas
este ruído persistente
de existir.
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