Jacques Lacan
Não trouxe respostas.
Trouxe cortes.
Onde havia eu,
mostrou fenda.
Onde havia sentido,
instalou falta.
Disse: não és um.
Nunca foste.
És falado
antes de falar.
O desejo não é teu.
A palavra não é tua.
O amor não fecha.
Há o Outro —
e ele falha.
Entre um significante
e outro,
o sujeito cai.
Não há cura.
Não há síntese.
Não há garantia.
Há o resto.
Há o sintoma.
Há o ato de sustentar
o impossível
sem mentir.
Lacan não explicou o humano.
Retirou-lhe o chão —
e chamou isso
de verdade.
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