Franz Kafka

 Franz Kafka


A porta estava aberta.

Mesmo assim,

não era para você.

O processo começou

sem acusação,

sem data,

sem fim.

Alguém chamava seu nome

com a voz da lei,

mas ninguém sabia

o que queria.

Você obedecia

porque existir

já parecia culpa.

O corredor era longo,

o teto baixo,

o ar suficiente

para continuar.

Explicar não adiantava.

Esperar piorava.

Fugir confirmava tudo.

O mundo funcionava

perfeitamente

— contra você.

E quando perguntaram

por que não entrou,

a resposta já estava escrita

antes da pergunta.

Kafka não descreveu o absurdo.

Ele mostrou

o funcionamento normal

das coisas.

E isso

é o que não passa.

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