Fim

 Fim


Quando o silêncio aprende a ser caminho,

e o tempo dobra a lâmina do dia,

descubro que o começo já continha

a lenta arquitetura do sozinho.


As horas vão caindo de mansinho,

como se a vida fosse ventania

levando o nome frágil que havia

gravado na madeira do destino.


Não há tragédia nisso: apenas queda,

uma luz que se apaga sem alarde,

o gesto simples de fechar a porta.


E o mundo segue, antigo como a pedra,

indiferente ao que em nós arde —

como se cada fim já fosse outra.

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