Derradeiro
Não sobra explicação.
Sobra o osso do dia
roído pela noite.
Tudo o que prometeu
caiu antes de cumprir.
Deus cansou da própria voz.
A história fechou cedo.
O amor ficou sem verbo.
O trabalho, sem sentido.
O nome, sem dono.
Avançamos mesmo assim,
com o pouco que resta:
um passo,
um erro,
um silêncio que insiste.
No fim,
não há palavra final.
Há apenas
o ato de parar
—
e continuar parado.
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