Artificial
Nada nasce.
Tudo é montado.
O gesto aprende a parecer vivo.
A voz imita a urgência.
O afeto vem com manual.
O artificial não mente:
ele funciona.
Funciona melhor que o corpo,
melhor que o erro,
melhor que o tempo.
Mas não cai.
Não falha.
Não treme.
E por isso mesmo
não sofre,
não deseja,
não insiste.
O artificial é perfeito
demais para viver.
O humano, imperfeito,
ainda erra —
e nisso
continua.
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