Algoritmo
Um cálculo mudo observa o viver,
lê o desejo antes de nascer;
cada gesto aprende a nos prever,
cada escolha já sabe o que ser.
Sob sua ordem passamos sem ver
que o mundo virou dado a correr;
o tempo é cifra a nos escrever,
um número aprende a nos conter.
Quem fala agora — eu ou o código?
Sou só vestígio num fluxo lógico,
eco de um clique na rede infinita.
Se tudo aprende a nos antecipar,
talvez só reste para escapar
o erro humano — breve, que hesita.
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