A Última Expectativa

A Última Expectativa


Por que não falar antes que tudo morra,

quando a hora arrasta ossos e lembranças,

e o amor antigo se esconde nas franjas

de camas que a carência cega devora?


Palavras repetidas, coalho que sobra,

são pistões de um peito em desesperanças,

eco de promessas, falas e fragâncias,

tudo chega cedo, cedo demais se implora.


Diz-me de novo, ensina-me a não saber,

última vez que se ama e se finge amar,

última vez que o peito se atreve a bater.


Amar sem ser amado, ou sem teu olhar,

é esperar em silêncio que me quebre o ser,

a menos que alguém, enfim, venha me amar.

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