A Última Expectativa
Por que não falar antes que tudo morra,
quando a hora arrasta ossos e lembranças,
e o amor antigo se esconde nas franjas
de camas que a carência cega devora?
Palavras repetidas, coalho que sobra,
são pistões de um peito em desesperanças,
eco de promessas, falas e fragâncias,
tudo chega cedo, cedo demais se implora.
Diz-me de novo, ensina-me a não saber,
última vez que se ama e se finge amar,
última vez que o peito se atreve a bater.
Amar sem ser amado, ou sem teu olhar,
é esperar em silêncio que me quebre o ser,
a menos que alguém, enfim, venha me amar.
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