A Última Ceia (Andy Warhol)
Na tela o velho Cristo vira feira,
repetem-se apóstolos na impressão,
igual anúncio preso no busão,
santinho pop na vitrine inteira.
O milagre virou prateleira,
fé misturada à publicidade e pão,
todo mistério em série, repetição,
como latinha empilhada na bandeira.
O mundo olha e diz: “isso é blasfêmia”,
mas Warhol só mostrou nossa porção:
rezar também virou reprodução.
Entre neon, consumo e anemia,
Cristo encara a mesma multidão —
mil cópias da mesma salvação.
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